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Como mudar de país com cachorros

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Priscila e Gunther curtindo a primavera em Praga

Pra mim e pro meu marido, cachorros são como filhos. Portanto, mudar de país sem o Gunther e a Priscila (nossos cães) nunca foi uma opção. E descobrimos que o processo de imigração de animais pode ser muito confuso! Minha recomendação: contrate uma empresa especializada. A gente contou com a ajuda da PetWorkTravel e foi a melhor decisão. De qualquer forma, faça a sua lição de casa também.

  • Procure a embaixada do país pra aonde você vai mudar e pergunte sobre as regras de imigração de animais vivos. Mesmo na União Européia as exigências podem variar dependendo do lugar.
  • Pesquise companhias aéreas. Apenas algumas aeronaves comportam o transporte de animais. Então você precisa saber qual é o vôo disponível na data da sua viagem, principalmente se quiser que o cachorro voe no mesmo dia e horário que você. Além disso, há especificações quanto ao tamanho da caixa de transporte.
  • Cães pequenos, com até 10 quilos incluindo a caixa, podem ir na cabine com o dono. Animais de focinho curto, independentemente do tamanho, assim como cães de assistência, também são permitidos na cabine. Os demais vão no compartimento de carga, numa temperatura entre 22 e 24 graus Celsius.
  • A Lufthansa é, sem dúvida, a melhor companhia para transportar animais. Além de serem super cuidadosos durante o embarque e o vôo, se houver conexão, eles hospedam os cães no Animal Lounge da empresa no Aeroporto de Frankfurt. Ali, os cachorros são examinados por veterinários e ficam fora da caixa, em áreas onde podem se movimentar.

Saga pré-viagem

Vou contar como foi a nossa burocracia.

  • Marcamos consulta no veterinário e realizamos check-up completo pra ter certeza de que os cachorros estavam bem de saúde.
  • Colocamos microchip neles, pois é uma exigência da União Européia.
  • Atualizamos todas as vacinas, incluindo a antirrábica.
  • Após exatos 30 dias, realizamos o exame de Sorologia para a Raiva, obrigatório pra a entrada de animais na Europa. É necessário esperar um mês pra que a vacina reaja no organismo do animal.
  • Na época em que tivemos que fazer o exame, o Centro de Zoonoses de São Paulo estava sem matéria-prima. Por isso, coletamos o sangue e fizemos a sorologia com a Provet, que nos atendeu super bem e trabalhou em parceria com um laboratório em Londres pra obter o laudo, atestando que o Gunther e a Priscila estavam imunes à Raiva. Pagamos muito mais caro, mas não quisemos estourar os prazos e esperar até quando a Prefeitura pudesse atender.
  • Uma dica importante: o Centro de Zoonoses já voltou a fazer o exame. Porém, eles não aceitam o sangue “inteiro”. Eles exigem que seja entregue apenas o soro. Por isso, se o seu veterinário não tem equipamento pra separar o soro do plasma, recomendo fazer a coleta na Provet ou outra clínica especializada — lembrando que, pra que a sorologia possa ser realizada, é necessário coletar uma quantidade exata de sangue capaz de prover um mínimo de soro. Não é qualquer veterinário que sabe disso.
  • Pra poder viajar, é necessário esperar 90 dias, contando da data do exame de sorologia. O laudo chega antes disso, mas esse prazo é uma espécie de quarentena.
  • Passado esse período, o seu veterinário deve preencher um atestado de saúde, que tem validade de cinco a sete dias, apenas. É nessa janela de tempo que você sai do país com os cães.
  • Porém, o inferno começa quando você tenta marcar um horário junto ao Serviço de Sanidade Animal do Ministério da Agricultura no Aeroporto de Guarulhos, para o qual você deve apresentar todos os documentos (carteira de vacinação, atestado de saúde, sorologia de raiva, etc.) pra obter a aprovação da viagem do animal. Eu simplesmente não podia passar dias inteiros esperando alguém atender o telefone.
  • Foi aí que a PetWorkTravel teve papel essencial. Eles é que fizeram todo o contato com Guarulhos e nos ajudaram a entender o formato correto do atestado de saúde e demais documentos.
  • Além disso, algumas raças, incluindo Bull Terrier, Rottweiler e Doberman, devem ser transportadas em caixas de madeira, super resistentes e que permitem a interação dos cães com os funcionários do aeroporto de forma segura. A PetWorkTravel mandou fazer a caixa do Gunther com um marceneiro, nas especificações exigidas.

A viagem 

Sim, eles vão sofrer. A viagem será desgastante, eles ficarão ansiosos e você vai ficar super angustiado. Faz parte.

  • O meu vôo pra Frankfurt era 19h45, mas tive que deixar o Gunther e a Priscila no terminal de cargas de Guarulhos às 9h da manhã, pra serem inspecionados pelos funcionários do aeroporto, fazer a leitura do microchip e a checagem dos documentos. Ao meio dia, eles foram levados para a área de cargas da Lufthansa.
  • Eles comeram antes de sair casa e, depois, só foram se alimentar de novo na conexão em Frankfurt (eles dormiram lá e viajaram pra Praga um dia depois de mim).
  • Assim que chegaram em Guarulhos, entraram na caixa de transporte e não saíram mais, até a conexão. A PetWorkTravel cuidou da identificação, que incluía os nossos telefones para o caso de emergência. E, acredite, a Lufthansa só entra em contato caso seja extremamente necessário. Se não, até o destino final, não há como ter notícias do seu cão.
  • Dentro da caixa de transporte só é permitido colocar o tapete higiênico. A caixa é lacrada pra evitar que abra durante o trajeto e o cachorro escape. Recipientes com água são presos na portinha. Um saco pequeno com ração vai preso na parte de cima, por fora da caixa, e essa é toda comida que eles terão na conexão.
  • JAMAIS DÊ CALMANTES PARA O CACHORRO VIAJAR. Muita gente acha que essa é a melhor maneira de evitar o sofrimento do animal e há várias discussões na internet sobre o uso de Dramin, Acepran e afins.
    • Primeiro: nenhum desses remédios, numa dose segura, terá feito durante toda a viagem, ainda mais durante um trajeto longo, de mais de 6 horas, como é o caso da Europa. Então, em algum momento seu cão estará lúcido e pode ser pior se ele acordar sem entender onde está.
    • Segundo: esses remédios podem baixar a pressão arterial e o animal pode morrer. Durante o vôo, ele estará sem supervisão humana. Se passar mal, ninguém vai ser saber e, portanto, não haverá como socorrer.
    • Por último: uma companhia aérea séria não permite o embarque do animal dopado. Ou seja, você perde a viagem e bastante dinheiro.
  • Os animais são os primeiros a embarcar na aeronave. Pra sua tranquilidade, cheque com os comissários se os cachorros embarcaram mesmo, não teve nenhum problema, etc. No caso da Lufthansa, o comandante sabe que está transportando carga viva e garante a manutenção da temperatura  adequada.
  • Aí, basta esperar pela chegada do animal.

Ok, você vai escutar muitas histórias de companhias aéreas incompetentes, cães que morreram durante a viagem, etc. É uma escolha. Nós jamais poderíamos doar o Gunther e a Priscila. Se eles não viessem com a gente, não haveria mudança. Não há como garantir 100% que o processo é extremamente seguro. Mas, sim, dá pra confiar que, escolhendo os melhores parceiros, eles chegarão bem. E ter o animal que você ama te acompanhando na sua nova vida é a melhor coisa do mundo!

 

 

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Algumas dicas para mudar de país

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Muitas pessoas vêm falar que adorariam fazer o que eu fiz: “largar tudo e ir embora do Brasil”. Calma, galera. O tal “largar tudo” parece impulsivo e corajoso, mas requer muito planejamento, pesquisa e consciência. A gente tem mania de viajar e voltar encantado, imaginando que a vida fora do Brasil é perfeita e que basta entrar no avião só com a passagem de ida pra se livrar de todos os problemas. Nenhum lugar é perfeito e, talvez não existam os mesmos problemas, mas existem outros.

Conheço três tipo de imigrantes:

– O expatriado, que muda de país com a empresa patrocinando visto, moradia, transporte, plano de saúde, etc. Geralmente os contratos têm um período determinado (dois, três anos) e quem pode morar fora nessa situação disfruta, muitas vezes, de um estilo de vida que vários cidadãos não têm acesso ou optam por não ter acesso (principalmente na Europa, as escolhas tendem menos ao materialismo). Teoricamente esse é o mundo “ideal”,  porque as despesas mais caras estão cobertas. Além disso, a companhia ajuda com as burocracias. Mas é importante cuidar pra não se fechar na comunidade de estrangeiros e tomar aquela realidade como a realidade do lugar.

– Há aquele que muda de país com emprego, mas não como expatriado. Ou seja, a empresa patrocina o visto, ajuda nas burocracias, mas o resto é ele que banca. Claro que é mil vezes melhor morar fora sabendo que o salário continua entrando no final do mês. E a pessoa acaba experimentando uma vida mais parecida com a de “todo mundo” que paga aluguel, transporte, usa saúde e escola públicas, etc.

– E tem o que vai morar fora pra tentar arrumar trabalho e literalmente se virar “do zero”. Pra mim, essa é a situação que mais precisa de planejamento pra não ser muito mais difícil do que deve ser.

Toda experiência é válida. Super encorajo empacotar as coisas e descobrir o seu “eu” em diferentes cantos do mundo. Mas saiba onde você está “se metendo” pra evitar frustrações e facilitar a adaptação. Então, aqui vão algumas sugestões.

  • Escolha uma cidade. Leia tudo sobre ela e o país. Busque notícias locais, curiosidades, estatísticas, etc. Descubra como são os bairros, a comida, a moda, como anda a economia, a política, e tal. Excesso de informação, neste caso, é bom.
  • Acima de tudo, entenda o custo de vida. E isso não se trata de converter a moeda ou achar que mil são mil. Mil reais têm um poder de compra diferente de mil dólares. Vários sites ajudam a entender qual é o salário médio, quanto custa o aluguel, o supermercado, o transporte, e tudo mais. Saiba como é viver ganhando e gastando na moeda local. Mesmo quem mora fora como expatriado precisa saber que padrão de vida é possível ter com o salário oferecido.
  • Entenda os tipos de visto, seus direitos e deveres como estrangeiro. Muita gente chega num lugar achando que pode usufruir de todos os privilégios, mas alguns direitos só são concedidos depois que se obtém a residência permanente, o que demora alguns anos (não é cidadania ainda, é um passo antes). Até lá, algumas regras são diferentes para os imigrantes. Por exemplo, alguns países não permitem que esposos (“spouses”) trabalhem. Em alguns lugares eles não podem nem trabalhar, nem estudar. Só quando se tornam residentes.
  • Alguns países estendem os benefícios de seguridade social aos imigrantes e familiares. Outros estendem em parte. Em alguns lugares o acesso irrestrito ao sistema público de saúde existe se a pessoa trabalha e contribui com o equivalente ao INSS local. Se não, para ter acesso aos mesmos hospitais e médicos como qualquer cidadão é preciso pagar plano de saúde privado (ainda que seja para usar o sistema público). As licenças remuneradas (como maternidade e paternidade) às vezes só podem ser obtidas se a pessoa paga impostos no país.
  • Então, é preciso entender os impostos. E é provável que, durante algum tempo, seja necessário pagar imposto no Brasil e também no país onde você foi morar. Bisque assessoria contábil.
  • Livre-se de todas as suas dívidas antes de mudar de país. Quite tudo, inclusive o cartão de crédito. Acredite, você não vai querer ficar lembrando de pagar prestações que largou pra trás.
  • Esteja aberto ao novo. Tente não julgar. Costumes e hábitos formam a cultura do lugar e haverá coisas que você gosta e outras que você vai achar que deveriam ser diferentes. Apenas respeite. E adote aquilo que achar bom pra você.
  • Vejo muito brasileiro em grupo de Facebook com saudade do pão de queijo e achando que o supermercado deveria vender tapioca. Se você for morar num país com uma comunidade brasileira grande, e onde é possível encontrar supermercados especializados, parabéns. Se não, consulte as regras e veja se seus amigos podem mandar polvilho pelo correio. Mas, na boa, busque se adaptar. Não vai dar pra continuar comendo as mesmas coisas. E se não tem feijão preto, algum feijão sempre tem.
  • Sim, faça parte das comunidades do Facebook, frequente Meetups, etc. Esteja aberto a conhecer pessoas de diferentes lugares, idades, crenças. Eu não acho que estar sozinho seja o mesmo que sentir solidão. Mas, fazer amigos é sempre saudável. Isso não quer dizer que você vai parar de ser seletivo com as suas amizades. Jamais! Nem todo mundo que você conhece morando fora é legal, do bem, honesto, “normal” e tá fim de ajudar. Esteja rodeado por quem te faz bem,  te quer bem e tem a ver com você. Trate o resto como networking (e é assim que muita gente vai tratar você também).
  • Aliás, estar um pouco mais sozinho pode ser ótimo pra contemplar, se conhecer, refletir. Não queira estar com qualquer pessoa só para estar com pessoas. E eu também não acho que você deva fazer programas que não gosta só pra aceitar todo convite que chega. Se respeite.
  • E saiba que algumas coisas enchem o saco sim. Estar numa cidade como turista é bem diferente de morar ali. Aquilo que não te incomoda em alguns dias de férias pode torrar a paciência quando entra na sua rotina. Normal. Permita-se xingar de vez em quando. Como já disse, não espere que tudo seja perfeito.

UPDATE: Sobre cair em “scams”. Isso normalmente acontece quando você acha que já entendeu tudo e não precisa perguntar nada pra ninguém. Ou que pode “dar um jeitinho”. Comunidades do Facebook também dão dicas de como identificar picaretas. Mas, siga os burocratas e as chances de isso acontecer diminuem bastante.

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Investimento financeiro

Na República Chf4f66bc7f9d351264adfe7700f7a2340eca, o juro imobiliário é de 2% ao ano e a inflação é menos de 1% ao mês. Com isso, as pessoas não têm o costume de aplicar dinheiro em produtos bancários. Conversamos com alguns amigos sobre isso. Ou eles literalmente largam o que sobra na conta ou transferem pra poupança, apenas pra terem um melhor controle financeiro. Então, eu resolvi ir ao Raiffensen Bank perguntar sobre investimentos.

Apenas algumas agências têm gerentes especializados. O ideal é marcar um horário pra encontrar a pessoa disponível. A poupança rende, em média, 0,5% a 1% ao ano. Aí existem outras opções, entre elas:

Títulos do governo: rendem entre 1,5% e 2% ao ano.
Mix de papéis públicos/privados e fundos de investimentos: ficam entre 3% e 4% ao ano.
Ações: podem chegar a 7% ao ano.

Em todas elas é aconselhável manter o dinheiro quieto por alguns anos, pra abater taxas e impostos. Ou seja, ao aplicar 10 mil coroas, o máximo que se pode ganhar num investimento de alto risco como a Bolsa são 700 coroas, o que talvez pague uma conta do supermercado no ano inteiro.

Economia estável é outra coisa, né?