Bichos · Finanças · Gente · Rotina

Como mudar de país com cachorros

IMG_4631
Priscila e Gunther curtindo a primavera em Praga

Pra mim e pro meu marido, cachorros são como filhos. Portanto, mudar de país sem o Gunther e a Priscila (nossos cães) nunca foi uma opção. E descobrimos que o processo de imigração de animais pode ser muito confuso! Minha recomendação: contrate uma empresa especializada. A gente contou com a ajuda da PetWorkTravel e foi a melhor decisão. De qualquer forma, faça a sua lição de casa também.

  • Procure a embaixada do país pra aonde você vai mudar e pergunte sobre as regras de imigração de animais vivos. Mesmo na União Européia as exigências podem variar dependendo do lugar.
  • Pesquise companhias aéreas. Apenas algumas aeronaves comportam o transporte de animais. Então você precisa saber qual é o vôo disponível na data da sua viagem, principalmente se quiser que o cachorro voe no mesmo dia e horário que você. Além disso, há especificações quanto ao tamanho da caixa de transporte.
  • Cães pequenos, com até 10 quilos incluindo a caixa, podem ir na cabine com o dono. Animais de focinho curto, independentemente do tamanho, assim como cães de assistência, também são permitidos na cabine. Os demais vão no compartimento de carga, numa temperatura entre 22 e 24 graus Celsius.
  • A Lufthansa é, sem dúvida, a melhor companhia para transportar animais. Além de serem super cuidadosos durante o embarque e o vôo, se houver conexão, eles hospedam os cães no Animal Lounge da empresa no Aeroporto de Frankfurt. Ali, os cachorros são examinados por veterinários e ficam fora da caixa, em áreas onde podem se movimentar.

Saga pré-viagem

Vou contar como foi a nossa burocracia.

  • Marcamos consulta no veterinário e realizamos check-up completo pra ter certeza de que os cachorros estavam bem de saúde.
  • Colocamos microchip neles, pois é uma exigência da União Européia.
  • Atualizamos todas as vacinas, incluindo a antirrábica.
  • Após exatos 30 dias, realizamos o exame de Sorologia para a Raiva, obrigatório pra a entrada de animais na Europa. É necessário esperar um mês pra que a vacina reaja no organismo do animal.
  • Na época em que tivemos que fazer o exame, o Centro de Zoonoses de São Paulo estava sem matéria-prima. Por isso, coletamos o sangue e fizemos a sorologia com a Provet, que nos atendeu super bem e trabalhou em parceria com um laboratório em Londres pra obter o laudo, atestando que o Gunther e a Priscila estavam imunes à Raiva. Pagamos muito mais caro, mas não quisemos estourar os prazos e esperar até quando a Prefeitura pudesse atender.
  • Uma dica importante: o Centro de Zoonoses já voltou a fazer o exame. Porém, eles não aceitam o sangue “inteiro”. Eles exigem que seja entregue apenas o soro. Por isso, se o seu veterinário não tem equipamento pra separar o soro do plasma, recomendo fazer a coleta na Provet ou outra clínica especializada — lembrando que, pra que a sorologia possa ser realizada, é necessário coletar uma quantidade exata de sangue capaz de prover um mínimo de soro. Não é qualquer veterinário que sabe disso.
  • Pra poder viajar, é necessário esperar 90 dias, contando da data do exame de sorologia. O laudo chega antes disso, mas esse prazo é uma espécie de quarentena.
  • Passado esse período, o seu veterinário deve preencher um atestado de saúde, que tem validade de cinco a sete dias, apenas. É nessa janela de tempo que você sai do país com os cães.
  • Porém, o inferno começa quando você tenta marcar um horário junto ao Serviço de Sanidade Animal do Ministério da Agricultura no Aeroporto de Guarulhos, para o qual você deve apresentar todos os documentos (carteira de vacinação, atestado de saúde, sorologia de raiva, etc.) pra obter a aprovação da viagem do animal. Eu simplesmente não podia passar dias inteiros esperando alguém atender o telefone.
  • Foi aí que a PetWorkTravel teve papel essencial. Eles é que fizeram todo o contato com Guarulhos e nos ajudaram a entender o formato correto do atestado de saúde e demais documentos.
  • Além disso, algumas raças, incluindo Bull Terrier, Rottweiler e Doberman, devem ser transportadas em caixas de madeira, super resistentes e que permitem a interação dos cães com os funcionários do aeroporto de forma segura. A PetWorkTravel mandou fazer a caixa do Gunther com um marceneiro, nas especificações exigidas.

A viagem 

Sim, eles vão sofrer. A viagem será desgastante, eles ficarão ansiosos e você vai ficar super angustiado. Faz parte.

  • O meu vôo pra Frankfurt era 19h45, mas tive que deixar o Gunther e a Priscila no terminal de cargas de Guarulhos às 9h da manhã, pra serem inspecionados pelos funcionários do aeroporto, fazer a leitura do microchip e a checagem dos documentos. Ao meio dia, eles foram levados para a área de cargas da Lufthansa.
  • Eles comeram antes de sair casa e, depois, só foram se alimentar de novo na conexão em Frankfurt (eles dormiram lá e viajaram pra Praga um dia depois de mim).
  • Assim que chegaram em Guarulhos, entraram na caixa de transporte e não saíram mais, até a conexão. A PetWorkTravel cuidou da identificação, que incluía os nossos telefones para o caso de emergência. E, acredite, a Lufthansa só entra em contato caso seja extremamente necessário. Se não, até o destino final, não há como ter notícias do seu cão.
  • Dentro da caixa de transporte só é permitido colocar o tapete higiênico. A caixa é lacrada pra evitar que abra durante o trajeto e o cachorro escape. Recipientes com água são presos na portinha. Um saco pequeno com ração vai preso na parte de cima, por fora da caixa, e essa é toda comida que eles terão na conexão.
  • JAMAIS DÊ CALMANTES PARA O CACHORRO VIAJAR. Muita gente acha que essa é a melhor maneira de evitar o sofrimento do animal e há várias discussões na internet sobre o uso de Dramin, Acepran e afins.
    • Primeiro: nenhum desses remédios, numa dose segura, terá feito durante toda a viagem, ainda mais durante um trajeto longo, de mais de 6 horas, como é o caso da Europa. Então, em algum momento seu cão estará lúcido e pode ser pior se ele acordar sem entender onde está.
    • Segundo: esses remédios podem baixar a pressão arterial e o animal pode morrer. Durante o vôo, ele estará sem supervisão humana. Se passar mal, ninguém vai ser saber e, portanto, não haverá como socorrer.
    • Por último: uma companhia aérea séria não permite o embarque do animal dopado. Ou seja, você perde a viagem e bastante dinheiro.
  • Os animais são os primeiros a embarcar na aeronave. Pra sua tranquilidade, cheque com os comissários se os cachorros embarcaram mesmo, não teve nenhum problema, etc. No caso da Lufthansa, o comandante sabe que está transportando carga viva e garante a manutenção da temperatura  adequada.
  • Aí, basta esperar pela chegada do animal.

Ok, você vai escutar muitas histórias de companhias aéreas incompetentes, cães que morreram durante a viagem, etc. É uma escolha. Nós jamais poderíamos doar o Gunther e a Priscila. Se eles não viessem com a gente, não haveria mudança. Não há como garantir 100% que o processo é extremamente seguro. Mas, sim, dá pra confiar que, escolhendo os melhores parceiros, eles chegarão bem. E ter o animal que você ama te acompanhando na sua nova vida é a melhor coisa do mundo!

 

 

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s