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Algumas dicas para mudar de país

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Muitas pessoas vêm falar que adorariam fazer o que eu fiz: “largar tudo e ir embora do Brasil”. Calma, galera. O tal “largar tudo” parece impulsivo e corajoso, mas requer muito planejamento, pesquisa e consciência. A gente tem mania de viajar e voltar encantado, imaginando que a vida fora do Brasil é perfeita e que basta entrar no avião só com a passagem de ida pra se livrar de todos os problemas. Nenhum lugar é perfeito e, talvez não existam os mesmos problemas, mas existem outros.

Conheço três tipo de imigrantes:

– O expatriado, que muda de país com a empresa patrocinando visto, moradia, transporte, plano de saúde, etc. Geralmente os contratos têm um período determinado (dois, três anos) e quem pode morar fora nessa situação disfruta, muitas vezes, de um estilo de vida que vários cidadãos não têm acesso ou optam por não ter acesso (principalmente na Europa, as escolhas tendem menos ao materialismo). Teoricamente esse é o mundo “ideal”,  porque as despesas mais caras estão cobertas. Além disso, a companhia ajuda com as burocracias. Mas é importante cuidar pra não se fechar na comunidade de estrangeiros e tomar aquela realidade como a realidade do lugar.

– Há aquele que muda de país com emprego, mas não como expatriado. Ou seja, a empresa patrocina o visto, ajuda nas burocracias, mas o resto é ele que banca. Claro que é mil vezes melhor morar fora sabendo que o salário continua entrando no final do mês. E a pessoa acaba experimentando uma vida mais parecida com a de “todo mundo” que paga aluguel, transporte, usa saúde e escola públicas, etc.

– E tem o que vai morar fora pra tentar arrumar trabalho e literalmente se virar “do zero”. Pra mim, essa é a situação que mais precisa de planejamento pra não ser muito mais difícil do que deve ser.

Toda experiência é válida. Super encorajo empacotar as coisas e descobrir o seu “eu” em diferentes cantos do mundo. Mas saiba onde você está “se metendo” pra evitar frustrações e facilitar a adaptação. Então, aqui vão algumas sugestões.

  • Escolha uma cidade. Leia tudo sobre ela e o país. Busque notícias locais, curiosidades, estatísticas, etc. Descubra como são os bairros, a comida, a moda, como anda a economia, a política, e tal. Excesso de informação, neste caso, é bom.
  • Acima de tudo, entenda o custo de vida. E isso não se trata de converter a moeda ou achar que mil são mil. Mil reais têm um poder de compra diferente de mil dólares. Vários sites ajudam a entender qual é o salário médio, quanto custa o aluguel, o supermercado, o transporte, e tudo mais. Saiba como é viver ganhando e gastando na moeda local. Mesmo quem mora fora como expatriado precisa saber que padrão de vida é possível ter com o salário oferecido.
  • Entenda os tipos de visto, seus direitos e deveres como estrangeiro. Muita gente chega num lugar achando que pode usufruir de todos os privilégios, mas alguns direitos só são concedidos depois que se obtém a residência permanente, o que demora alguns anos (não é cidadania ainda, é um passo antes). Até lá, algumas regras são diferentes para os imigrantes. Por exemplo, alguns países não permitem que esposos (“spouses”) trabalhem. Em alguns lugares eles não podem nem trabalhar, nem estudar. Só quando se tornam residentes.
  • Alguns países estendem os benefícios de seguridade social aos imigrantes e familiares. Outros estendem em parte. Em alguns lugares o acesso irrestrito ao sistema público de saúde existe se a pessoa trabalha e contribui com o equivalente ao INSS local. Se não, para ter acesso aos mesmos hospitais e médicos como qualquer cidadão é preciso pagar plano de saúde privado (ainda que seja para usar o sistema público). As licenças remuneradas (como maternidade e paternidade) às vezes só podem ser obtidas se a pessoa paga impostos no país.
  • Então, é preciso entender os impostos. E é provável que, durante algum tempo, seja necessário pagar imposto no Brasil e também no país onde você foi morar. Bisque assessoria contábil.
  • Livre-se de todas as suas dívidas antes de mudar de país. Quite tudo, inclusive o cartão de crédito. Acredite, você não vai querer ficar lembrando de pagar prestações que largou pra trás.
  • Esteja aberto ao novo. Tente não julgar. Costumes e hábitos formam a cultura do lugar e haverá coisas que você gosta e outras que você vai achar que deveriam ser diferentes. Apenas respeite. E adote aquilo que achar bom pra você.
  • Vejo muito brasileiro em grupo de Facebook com saudade do pão de queijo e achando que o supermercado deveria vender tapioca. Se você for morar num país com uma comunidade brasileira grande, e onde é possível encontrar supermercados especializados, parabéns. Se não, consulte as regras e veja se seus amigos podem mandar polvilho pelo correio. Mas, na boa, busque se adaptar. Não vai dar pra continuar comendo as mesmas coisas. E se não tem feijão preto, algum feijão sempre tem.
  • Sim, faça parte das comunidades do Facebook, frequente Meetups, etc. Esteja aberto a conhecer pessoas de diferentes lugares, idades, crenças. Eu não acho que estar sozinho seja o mesmo que sentir solidão. Mas, fazer amigos é sempre saudável. Isso não quer dizer que você vai parar de ser seletivo com as suas amizades. Jamais! Nem todo mundo que você conhece morando fora é legal, do bem, honesto, “normal” e tá fim de ajudar. Esteja rodeado por quem te faz bem,  te quer bem e tem a ver com você. Trate o resto como networking (e é assim que muita gente vai tratar você também).
  • Aliás, estar um pouco mais sozinho pode ser ótimo pra contemplar, se conhecer, refletir. Não queira estar com qualquer pessoa só para estar com pessoas. E eu também não acho que você deva fazer programas que não gosta só pra aceitar todo convite que chega. Se respeite.
  • E saiba que algumas coisas enchem o saco sim. Estar numa cidade como turista é bem diferente de morar ali. Aquilo que não te incomoda em alguns dias de férias pode torrar a paciência quando entra na sua rotina. Normal. Permita-se xingar de vez em quando. Como já disse, não espere que tudo seja perfeito.

UPDATE: Sobre cair em “scams”. Isso normalmente acontece quando você acha que já entendeu tudo e não precisa perguntar nada pra ninguém. Ou que pode “dar um jeitinho”. Comunidades do Facebook também dão dicas de como identificar picaretas. Mas, siga os burocratas e as chances de isso acontecer diminuem bastante.

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