Gente · Historia

Sem saudades da esquerda comunista

Uma ex-chefe minha foi da equipe de comunicação do governo durante a integração das duas Alemanhas depois da queda do Muro de Berlim. Segundo seus relatos, a Alemanha só se tornou o que é porque a parte ocidental teve dinheiro suficiente pra consertar o caos que era o lado oriental.

Na Europa Central e no Leste Europeu não houve essa mesma “sorte”. Os países ficaram à deriva com o fim da União Soviética e tiveram que se reerguer sozinhos. Foram tempos bem difíceis.

Quase trinta anos depois, a República Checa, por exemplo, possui uma economia estável (em 2016 a inflação foi 0,66%), custo de vida baixo e segue atraindo capital estrangeiro. Quase todas as multinacionais têm operações no país, cujo índice de desemprego é de 5,9% (praticamente só exclui as crianças e os idosos).

Eu tenho perguntado pra vários tchecos, de diversos níveis sociais, como eles comparam a era comunista com os tempos atuais. Todos são unânimes em dizer que o Comunismo foi uma das piores coisas que aconteceu ao país. A liderança do Partido Comunista da Checoslováquia enriqueceu às custas de corrupção, do sucateamento dos sistemas públicos, propaganda, cerceamento às liberdades individuais e violência.

É verdade que a população tinha casa, emprego, comida e mesada do governo, mas não havia acesso a coisas de qualidade ou à cultura. “Agora, todo mundo tem que trabalhar e pagar contas, alguns perderam o lugar onde moravam e tiveram que batalhar para conseguir um teto, mas o país está crescendo, as pessoas têm escolhas e existe liberdade”, disse o moço que veio montar o sofá de casa e, logo em seguida, numa quinta-feira, levou a família pra a Áustria pra aproveitar o fim da temporada de ski.

As pessoas mais sênior claramente expressam preconceito contra os russos que migraram para cá. O atual presidente, Miloš Zeman, possui baixa popularidade sobretudo entre os tchecos mais escolarizados e que vivem em centros urbanos como Praga e Brno (49% da população afirma não confiar nele) e isso se deve, também, aos acordos comerciais feitos com a China.

“A gente tem muito medo do mundo como está agora, com Brexit, Trump e Putin. Temos pavor de voltar ao que era. Queremos distância de tudo o que vivemos no passado”, contou uma senhorinha num café.

E pensar que, depois de tudo, ainda tem gente que defende os partidos de esquerda e seus governos populistas na América Latina. Fidel Castro morreu milionário, Lula não sabe quanto ganha, Maduro certamente não fica na fila do leite…Enquanto isso, o pobre é quem paga o pato.

 

One thought on “Sem saudades da esquerda comunista

  1. O populismo acaba com um país, não só pelo que os governantes roubam, mas porque acabam destruindo gerações. Jovens sem educação e possibilidade de emprego versus gente ignorante e fazendo fila do bolsa família.
    Já vimos isso faz muitos anos na Argentina com Peron, e ainda, depois de quase 3 gerações continuamos con os sindicatos reivindicando sustento dos governos ao invés do crescimento econômico e empregabilidade.

    Like

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s