Finanças · Gente · Rotina

Investimento financeiro

Na República Chf4f66bc7f9d351264adfe7700f7a2340eca, o juro imobiliário é de 2% ao ano e a inflação é menos de 1% ao mês. Com isso, as pessoas não têm o costume de aplicar dinheiro em produtos bancários. Conversamos com alguns amigos sobre isso. Ou eles literalmente largam o que sobra na conta ou transferem pra poupança, apenas pra terem um melhor controle financeiro. Então, eu resolvi ir ao Raiffensen Bank perguntar sobre investimentos.

Apenas algumas agências têm gerentes especializados. O ideal é marcar um horário pra encontrar a pessoa disponível. A poupança rende, em média, 0,5% a 1% ao ano. Aí existem outras opções, entre elas:

Títulos do governo: rendem entre 1,5% e 2% ao ano.
Mix de papéis públicos/privados e fundos de investimentos: ficam entre 3% e 4% ao ano.
Ações: podem chegar a 7% ao ano.

Em todas elas é aconselhável manter o dinheiro quieto por alguns anos, pra abater taxas e impostos. Ou seja, ao aplicar 10 mil coroas, o máximo que se pode ganhar num investimento de alto risco como a Bolsa são 700 coroas, o que talvez pague uma conta do supermercado no ano inteiro.

Economia estável é outra coisa, né?

Gastronomia · Turismo

Quase chorei na queijaria

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Em São Paulo, a vida toda comprei queijo na padaria ou no supermercado. De vez em quando frequentava uma ou outra instituição “gourmet”. Aqui, claro, existe o queijo de supermercado, fatiado ou em peça, de algumas marcas X, mas também existem várias lojas especializadas, que vendem diversos tipos de queijos de toda a Europa, daqueles que a gente vê em episódios do Netflix.

Visitei uma dessas lojas. Um cheiro fortíssimo de leite fermentado, uma coisa meio gorgonzola envelhecido. Ok, faz parte. Como estava tudo escrito em tcheco, a minha escolha foi seguir pela lista de variações “holandské”.

Eu: Please, 300 grams of Gouda cheese
A moça: What time?
Eu: Hmmmm 
A moça: How old?

Eu, que nunca pedi queijo de outro jeito que não por peso, repeti, devagar.

Eu: 300 grams of Gouda, Go-u-da cheese (apontando pra placa)
A moça, agora muito nervosa: Ok!!!!! One month old???? Two months old?????? What????

Fiquei muda, em pânico. Franzi a testa, encolhi os ombros. Jamais me disseram que eu tinha que saber a idade do queijo! Como assim?

Bem, diante da minha reação “estrangeira retardada”, a vendedora decidiu que eu levaria o Gouda com dois meses de cura. E, depois, me deu uma outra peça que já tinha um ano de maturação e um “gosto mais concentrado”.

Só sei que, além de ser grossa, ela me fez comprar quase um quilo de um monte de queijo que eu nunca mais vou conseguir pedir de novo, simplesmente porque não entendi o nome de nada, claro. Mas, pelo menos, essa gafe não cometo mais. Agora só peço queijo adulto!

 

 

Gastronomia · Gente · Rotina

Diversidade é tudo!

Como pode alguém ser contra imigrante e globalização?

Que delicia experimentar sabores e cheiros diferentes em restaurantes do mundo inteiro por todos os lados.

Chegar no açougue sem entender nada, mas, de repente, ver “ancho” escrito na plaquinha e quase beijar o açougueiro.

Ser feliz porque gouda é gouda, gruyere é gruyere, então sem queijo ninguém fica. Ah, prosciutto também é…prosciutto!

Poder ser limpinho porque existe Ariel, Rexona, Vanish e afins!  

Fora essa maravilha que é ver gente diferente, com estilos diversos, falando palavras inteligíveis e bebendo Kofola…

Viva o kebab e a margarita! E que o mundo se misture ainda mais!

Gente · Historia

Sem saudades da esquerda comunista

Uma ex-chefe minha foi da equipe de comunicação do governo durante a integração das duas Alemanhas depois da queda do Muro de Berlim. Segundo seus relatos, a Alemanha só se tornou o que é porque a parte ocidental teve dinheiro suficiente pra consertar o caos que era o lado oriental.

Na Europa Central e no Leste Europeu não houve essa mesma “sorte”. Os países ficaram à deriva com o fim da União Soviética e tiveram que se reerguer sozinhos. Foram tempos bem difíceis.

Quase trinta anos depois, a República Checa, por exemplo, possui uma economia estável (em 2016 a inflação foi 0,66%), custo de vida baixo e segue atraindo capital estrangeiro. Quase todas as multinacionais têm operações no país, cujo índice de desemprego é de 5,9% (praticamente só exclui as crianças e os idosos).

Eu tenho perguntado pra vários tchecos, de diversos níveis sociais, como eles comparam a era comunista com os tempos atuais. Todos são unânimes em dizer que o Comunismo foi uma das piores coisas que aconteceu ao país. A liderança do Partido Comunista da Checoslováquia enriqueceu às custas de corrupção, do sucateamento dos sistemas públicos, propaganda, cerceamento às liberdades individuais e violência.

É verdade que a população tinha casa, emprego, comida e mesada do governo, mas não havia acesso a coisas de qualidade ou à cultura. “Agora, todo mundo tem que trabalhar e pagar contas, alguns perderam o lugar onde moravam e tiveram que batalhar para conseguir um teto, mas o país está crescendo, as pessoas têm escolhas e existe liberdade”, disse o moço que veio montar o sofá de casa e, logo em seguida, numa quinta-feira, levou a família pra a Áustria pra aproveitar o fim da temporada de ski.

As pessoas mais sênior claramente expressam preconceito contra os russos que migraram para cá. O atual presidente, Miloš Zeman, possui baixa popularidade sobretudo entre os tchecos mais escolarizados e que vivem em centros urbanos como Praga e Brno (49% da população afirma não confiar nele) e isso se deve, também, aos acordos comerciais feitos com a China.

“A gente tem muito medo do mundo como está agora, com Brexit, Trump e Putin. Temos pavor de voltar ao que era. Queremos distância de tudo o que vivemos no passado”, contou uma senhorinha num café.

E pensar que, depois de tudo, ainda tem gente que defende os partidos de esquerda e seus governos populistas na América Latina. Fidel Castro morreu milionário, Lula não sabe quanto ganha, Maduro certamente não fica na fila do leite…Enquanto isso, o pobre é quem paga o pato.